Friday, 25 July 2025

European Union and China: competition and cooperation?

In today's edition of Diário de Notícias, 25/07/2025

This comprehensive analysis, penned by Victor Ângelo, paints a stark picture of Europe's geopolitical predicament, caught "between a rock and a hard place." It contrasts Europe's perceived fragility and historical focus with China's formidable and rapidly expanding global influence.


China's Ascent: A Geopolitical Powerhouse

The author emphasizes that China, under a rigid central command, has become a prominent power with all the necessary conditions for global dominance:

  • Central Geographical Location: Strategically positioned with a vast population and connections to billions more through the Belt and Road Initiative.

  • Dominant Industrial Base and Innovation: Daily multiplication of industrial innovation, accelerated development in Artificial Intelligence (AI), quantum computing, and large-scale renewable energy production. The abundance of low-cost energy is highlighted as a major future asset for the digital economy.

  • Assertive Diplomacy: China is seen as leveraging its diplomacy to exploit Europe's colonial past and the growing aggressiveness of the US, positioning itself as a new force for "national liberation" in the Global South.

  • Unrivaled Military Modernization: The text asserts that China's military program is far more extensive and innovative than commonly estimated in the West. This includes being the world's leading builder of warships, massive investments in stealth aircraft, a constantly developing nuclear arsenal, digital espionage, AI and autonomous combat systems, space exploration, and dual-use technology.

  • Patriotism and Cultural Pride: High levels of patriotism and cultural pride within the dominant Chinese population contribute to its assertiveness regarding Taiwan and the South China Sea.


Europe's Perceived Weakness and Misconceptions

The author suggests that China views Europe as little more than a "historical curiosity" and a significant market, akin to a museum of fine arts and the past. This perspective implies that China doesn't see Europe as a major geopolitical power.

The text also points out what it considers the West's misjudgment regarding China:

  • NATO's Blind Spot: The recent NATO summit in The Hague is criticized for not mentioning China, focusing instead on Russia and US arms acquisitions. While acknowledging Russia as a threat to some neighbors, the author argues Russia lacks the economic foundation to sustain its imperial ambitions long-term, unlike China.

  • Outdated Defense Strategy: The traditional approach of high defense spending, large military parades, and advanced warplanes is deemed "misleading" and easily overcome by modern geopolitical warfare, where cheap drones purchased online can down sophisticated aircraft.


Europe's Urgent Need for an Alternative

Europeans are urged to confront the realities of Donald Trump and the rise of Xi Jinping, lamenting that they appear to fear the former and ignore the latter. Given the distinct European mentality, an alternative path is deemed essential.

The proposed clear alternative for Europe involves:

  • Defining Real Threats: Identifying genuine dangers.

  • Defending European Unity: Strengthening internal cohesion.

  • Protecting Democratic Regimes: Safeguarding core European values.

  • Combating Political Extremism and Public Opinion Manipulation: Addressing internal vulnerabilities.

This is presented as vital political work rooted in truth in education and information, coupled with courageous public intervention. The author concludes that by electing such leaders, Europe will earn global respect and be able to deal with dictators effectively.


This analysis serves as a powerful call to action for Europe to reassess its position and adopt a more realistic and proactive strategy in the face of shifting global power dynamics. 

A Europa e a China: uma relação complexa mas essencial

 No Diário de Notícias de hoje, 25/07/2025

A Europa entre a espada e a parede

Victor Ângelo

António Costa e Ursula von der Leyen estão desde ontem em Beijing, para uma cimeira no quadro dos 50 anos das relações diplomáticas entre as duas partes. Xi Jinping recusou deslocar-se a Bruxelas e só depois de muita insistência aceitou o encontro em Beijing.

A imprensa chinesa diz que a reunião é importante. Não podia falar de outra maneira, estando o presidente Xi presente. Mas, para além de verem o nosso continente como um mercado de grande relevo, a Europa é tida como uma curiosidade histórica e pouco mais. Vai-se ao continente africano para ver os cinco magníficos – o leão, o elefante, o búfalo, o rinoceronte e o leopardo. Da China, o turista vem à Europa para ver outras cinco maravilhas –a Catedral de Notre-Dame e o Museu do Louvre em Paris, o Monte Saint-Michel em França, a cidade de Veneza e o Vaticano em Roma, embora o leque de escolha seja bem mais vasto. África é o museu da natureza, e a Europa o das belas-artes e do passado. É neste contexto que para Xi, o poder geopolítico não mora aqui.

Ao olhar para o futuro próximo, digamos para os cinco anos que aí vêm, ou mesmo para um período mais longo de dez anos, a Europa continuará à procura dos fragmentos e dos projetos necessários para construir a sua unidade. A Europa, como união política, é uma entidade frágil. 

A China, ao contrário e com um comando central férreo, tem-se transformado numa potência proeminente. Tem todas as condições para o ser: uma situação geográfica absolutamente central, com uma dimensão populacional gigantesca, e outros milhares de milhões de pessoas nos países à sua volta ou a ela ligados pelos corredores terrestres e marítimos da Nova Rota da Seda. Possui uma base industrial dominante, multiplicada diariamente por uma inovação industrial imparável, pelo desenvolvimento acelerado da Inteligência Artificial, pela computação quântica e por uma produção em larga escala de energia renovável. A abundância em matéria de energia é um dos grandes trunfos do futuro. A economia digital precisa de muita energia, produzida a custos incrivelmente baixos.

Mais ainda, a China aposta numa diplomacia forte e de aparência construtiva, capaz de explorar as velhas feridas do passado colonial da Europa e a agressividade de novo crescente dos EUA. Será a diplomacia da nova libertação nacional para muitos países do Sul, que completarão agora o que não conseguiram fazer na primeira fase das independências coloniais, há cerca de cinco ou seis décadas. Podem agora contar com uma superpotência hostil ao velho colonialismo, a nova China.

Sem esquecer o alto grau de patriotismo e de orgulho cultural da parte dominante da população na China. Estas características são evidentes na maneira como a China tem modernizado as suas forças armadas, no aumento da sua assertividade em relação a Taiwan e a certos países ribeirinhos do Mar do Sul da China. O programa militar chinês é bem maior, mais inovador e integrado do que aquilo que se estima no Ocidente. Primeiro construtor mundial de navios de guerra, investimentos enormes em aeronaves furtivas, arsenal nuclear em constante desenvolvimento, espionagem digital, IA e sistemas autónomos de combate, a exploração do espaço, o uso dual da tecnologia, e tudo o mais que a China hoje é e ambiciona ser.  

O Ocidente parece estar equivocado em relação à China. A declaração aprovada pela NATO na recente cimeira de Haia não fez qualquer referência à China. Esteve mais preocupada com a Rússia e com a aquisição de armamento aos EUA. É verdade que a Rússia é uma ameaça para certos países vizinhos que não estão na sua esfera de influência. Mas não possui a base económica suficiente para sustentar a prazo os devaneios imperiais que herdou do passado.

Ao contrário, a China tem a economia necessária e aposta em três trunfos, que são a inovação tecnológica, o comércio internacional e um aparente respeito pela soberania de cada Estado. São apostas políticas. E, no futuro, ganhará quem der de si uma imagem pacífica e colocar as cartas do relacionamento externo sobretudo nas dimensões políticas.

O jogo é outro. Os cinco por cento em defesa, os aviões de guerra abatidos por drones adquiridos na Amazon ou no Alibaba por tuta e meia, os homens e as mulheres fardados em grande número para marcar passo e impressionar nos desfiles militares, tudo isso alimenta uma economia equívoca e gera um sentimento de defesa enganador, que facilmente se esvai na luta geopolítica.

Os europeus têm de saber lidar com Donald Trump e compreender o que está a acontecer na China. Para já, dão a impressão de ter medo do americano e de ignorar Xi Jinping e a geração que virá a seguir. Não podemos comparar a mentalidade europeia nem com a dominante nos EUA, nem com a da China. Precisamos, enquanto europeus, de oferecer uma alternativa. Que alternativa? A resposta é clara: definir quais são as ameaças reais, defender a unidade europeia, os nossos regimes democráticos, combater os extremismos políticos e a manipulação da opinião pública. Tudo isto é trabalho político, com verdade na educação e na informação, e coragem na intervenção pública. Se elegermos líderes assim, seremos respeitados por todos, de Washinton a Beijing, e trataremos dos ditadores com a distância e as barreiras que merecem.

Guterres lost the support of the staff many years back

 UN staff in Geneva yesterday passed a motion of no confidence in Antonio Guterres, UN 80 and its initiator, Guy Ryder👇🏼


The extraordinary general assembly was called by the union and attended by almost 600 staff. It adopted the following motion without opposition: “The staff have no confidence in UN80, Secretary-General Antonio Guterres and Under Secretary General Guy Ryder.”

This is the first motion of no confidence in a UN Secretary-General since staff in New York passed one in 2007.

According to the union's communication, support for the motion was based on:

- The lack of vision around UN 80 which has been done in a panic and with no evaluation of earlier reforms.
- The decision to present budget proposals for 2026 with 20 percent fewer posts, without any evidence that this will address the current crisis, even as other organisations approve zero-growth budgets.
- The reinforcement of the UN’s existing top-heavy structure. Most cuts are taking place at junior levels, no USGs are being cut and an instruction to cut senior positions appears to have become optional.
- The decision by the Secretary-General to extend USG contracts by 2 years, in some cases beyond his mandate, and promote his own staff, while restricting normal staff to extensions of 1 year with the intention of denying them termination indemnities in case of separation.
- The refusal to consult with staff representatives on post cuts.
- The proposal to multiply headquarters locations, which in time will increase costs.
- The impression that staff are taking the blame for the challenges of the organization, which may in part stem from the organization's lack of visibility in matters of peace and security.
- A new Secretary-General with their own vision may undertake further reforms that contradict UN 80.

The union represents staff from OHCHR, OCHA, UNCTAD, ECE, conference services, security, UNDRR, ODA, JIU, OIOS, the pension fund and UNRISD.