Friday, 19 September 2025

A ONU e a sua Assembleia Geral têm de ser levadas a sério

 

A sessão anual de alto nível da Assembleia Geral da ONU começa na próxima semana. Os dirigentes da maioria dos Estados que compõem a cena internacional estarão em Nova Iorque. Uma das exceções será o Presidente da Autoridade da Palestina, Mahmoud Abbas. A administração americana não lhe concedeu o visto de entrada, nem à sua delegação. Pode recusar atribuir o visto, e já o fez no passado, em raras ocasiões, apesar do Acordo de Sede assinado por Washington em 1947. Esse acordo estipula a obrigação geral, mas não absoluta, de conceder vistos aos representantes dos Estados que tenham a intenção de participar nas reuniões previstas pela ONU, sobretudo no caso da Assembleia Geral.

Como sempre, os EUA justificaram a decisão invocando razões de segurança nacional e de política externa. Os motivos são claros, na realidade. Trata-se de mostrar, primeiro, um alinhamento total da liderança americana com o governo de Israel. Segundo, de exprimir o desagrado pela iniciativa de Emmanuel Macron e de outros líderes de trazer à Assembleia Geral a proposta do reconhecimento da Palestina como um Estado de pleno direito da ONU. E finalmente, punir os palestinianos por terem apresentado várias queixas contra Israel nos tribunais internacionais sediados na Haia.

De qualquer modo, a Assembleia irá votar sobre a Palestina, tal como proposto pela França, o Reino Unido, a Espanha, o Canadá, a Arábia Saudita e outros membros. Para já a ONU conta com 147 países que reconhecem a Palestina como Estado. Esse número deverá aumentar significativamente, depois da votação. Israel ficará diplomaticamente mais isolado, se se confirmar que a sua política em relação à Palestina não é aceite pela quase totalidade dos Estados, com a exceção dos EUA e pouco mais.

A votação terá um valor político simbólico, não vinculativo. Nenhum Estado pode fazer parte integral das Nações Unidas apenas com o voto favorável da Assembleia Geral. Precisa, inevitavelmente, do apoio do Conselho de Segurança, sem nenhum veto dos cinco membros permanentes. Neste caso, é evidente que os EUA irão exercer o seu veto. Trump vai ignorar a vontade da comunidade das nações. E lembrar-nos que o direito de veto é uma aberração histórica, que precisa de ser revisto, ou no mínimo, tendo em conta a nova relação de forças que existe no quadro internacional, profundamente restringido.

O discurso de Trump, na manhã do primeiro dia (23/09) é esperado com enorme apreensão. Começa, desde logo, com uma originalidade: pela primeira vez, um presidente americano fala na tribuna sem que o processo de nomeação de um Representante Permanente dos EUA tenha sido completado. Em maio, a Casa Branca anunciou que Mike Waltz seria o representante da Administração Trump na ONU, após ter desempenhado o importantíssimo papel de Conselheiro da Segurança Nacional e ter sido logo demitido, passadas breves semanas. A sua confirmação ainda se arrasta pelos corredores do Senado. Os EUA são representados em Nova Iorque por uma equipa de interinos, que poucas ou nenhumas diretrizes recebem de Washington. Trump não tem a ONU na sua lista de prioridades, exceto quando se trata de sair de certas organizações ou de cortar ou eliminar as contribuições financeiras, que tem a obrigatoriedade de pagar ao sistema onusiano.

Deverá certamente insistir numa ONU focada fundamentalmente na paz e na segurança internacional, palavras ditas por razões de mera imagem pessoal. Trump sonha ser visto como o mediador por excelência dos conflitos, o campeão da paz, merecedor do Prémio Nobel. Não acredita na capacidade da ONU nessa matéria. Na realidade, creio que não dá qualquer valor às Nações Unidas. É apenas uma tribuna que lhe permite exibir o seu ego desmesurado. Mas não quer uma ONU ativa em nenhum dos três pilares do sistema: a estabilidade internacional, o desenvolvimento e os direitos humanos.

A incumbência da estabilidade, que deveria decorrer do respeito pela Carta das Nações Unidas e pelo direito internacional, cabe aos americanos, segundo a sua maneira de pensar. O desenvolvimento, o progresso social e as questões do ambiente são assuntos para os europeus. Esquece-se, todavia, que nessas áreas quem marca pontos são os chineses, que estão profundamente empenhados numa ordem política e económica alternativa, numa ampla aliança com o chamado Sul Global. Quanto aos direitos humanos, a questão será deixada ao domínio do uso da força e às interpretações que cada Estado fará da dignidade e da vida dos seus cidadãos. Para os chineses e os seus aliados, os direitos humanos são um assunto de soberania nacional, que não deve ser incluída na agenda multilateral.

Tudo isto significa a marginalização das dimensões políticas e humanas das Nações Unidas. A próxima semana permitir-nos-á compreender melhor o que poderá ser o futuro da ONU.

Entretanto, António Guterres lançou em maio aquilo que designou como um exercício de reforma do sistema. Chamou-lhe UN80 e disse que teria três objetivos: reduzir as despesas; eliminar os mandatos que deixaram de fazer sentido; e proceder a uma transformação institucional. Era um plano ambicioso, que só poderia ser bem-sucedido se tivesse o apoio dos grandes países e se fosse realizado em diálogo com o pessoal da organização. Nada disso aconteceu. Na realidade, a prioridade deveria ter sido ir de porta em porta e rogar aos Estados em falta, como os EUA e a China, que honrassem os seus compromissos financeiros. A reforma da ONU começa com a responsabilização de cada Estado-membro.  

 Publicado no Diário de Notícias de 19/09/2025

Thursday, 18 September 2025

Values as Our Moral Compass

In a world of constant change and uncertainty, it's easy to feel adrift. We're bombarded with information, competing priorities, and external pressures that can blur our sense of direction. Yet, through this noise, our values stand as a steadfast moral compass. They are the fundamental beliefs that guide our decisions, define our character, and give our lives meaning beyond the pursuit of fleeting goals.

A society built without a shared foundation of values is a society in peril. When truth is discarded for convenience, when empathy is lost to indifference, and when integrity is traded for gain, the social fabric begins to fray. Without a commitment to principles like honesty, justice, and compassion, our institutions lose trust and our communities become fragmented.

Values are not just abstract ideas; they are action-oriented principles that we embody every day. Choosing to be honest when it’s difficult, standing up for fairness even when it's unpopular, or showing kindness to a stranger—these acts are not random. They are the tangible expression of our deeply held beliefs. By living our values, we don't just shape our own lives; we contribute to a stronger, more resilient society.

In an age where technology promises to solve all our problems and social media often rewards performative action, a return to core values is more critical than ever. We must ask ourselves not just "what are we doing?" but "why are we doing it?" By recommitting to our values, we can find clarity in chaos and build a future that is not just more prosperous, but also more just, compassionate, and humane.

Sunday, 14 September 2025

The European Union project needs a stronger leadership

 I am deeply concerned about the geopolitical challenges facing the European Union. These include the refugee crisis, the rise of far-right political parties and Euroscepticism, and a potential "desintegration" of the bloc if common solutions are not found.

Furthermore, the EU needs to increase its defense spending and address the reasons behind public apathy and a lack of belief in the European project.

Friday, 12 September 2025

Drones and provocations

 

Russia Strikes Poland as Von der Leyen Reviews the State of the Union

By Victor Ângelo

Once again, Vladimir Putin has demonstrated his sense of timing. He knows how to exploit political moments to his advantage — disrupting his adversaries’ plans while strengthening his grip on power. This is a shrewd, calculated form of leadership. It cannot be countered by amateurs or by leaders who struggle to explain to their citizens the threat Putin poses. Believing that one can negotiate mutually beneficial peace deals with such a regime is a fundamental mistake.

Just hours before European Commission President Ursula von der Leyen delivered her annual State of the Union address, Russia launched around 15 drones into Polish airspace — a NATO and EU member state. Putin then waited and watched, gauging the European response to his provocation.

The European Commission holds limited formal powers in defence matters. Yet it plays a crucial role in what is increasingly a hybrid, multi-dimensional conflict — the kind of confrontation Moscow wages beyond its conventional war of aggression in Ukraine.

It is the Commission that proposes sanctions packages, later approved by the European Council. The 19th package is nearly ready and was mentioned in Von der Leyen’s speech. It is expected to include the use of interest accrued from frozen Russian sovereign assets to help fund Ukraine’s military and administrative needs. While the Commission had pushed for expropriating the funds themselves, key countries such as France have blocked this move. For now, only the interest will be seized.

Meanwhile, pressure is mounting from Washington — especially from Donald Trump’s circle — to include secondary sanctions of up to 100% against countries that continue trading oil and gas with Russia, or enable Moscow’s war economy. Von der Leyen made clear that such pressure does not align with European interests. The EU is wary of opening new fronts of conflict with third countries.

She also highlighted newly approved financial and defence instruments — notably the SAFE programme: a €150 billion initiative to strengthen Europe’s military capabilities and reduce fragmentation and competition among its defence industries. SAFE, and other ongoing programmes, aim to increase cooperation among EU Member States and enhance their operational contribution within NATO. Reinforcing NATO’s European pillar is crucial — both to balance the transatlantic relationship and to protect against the imperialist ambitions of Russia, or future aggressions by other hostile actors.

Strategic communication and the fight against disinformation are also central. Europe, having suspended Russian state media operations, must now invest far more in explaining to its citizens what the Russian threat truly means. This is particularly urgent now that the United States appears to be stepping back from its joint efforts to counter Russian disinformation campaigns. In hybrid warfare, victory often depends on public awareness and engagement.

Freedom of expression must not become a vehicle for enemy propaganda. Russia is waging war against Europe — not in the old, conventional sense, but in a new form. Putin seeks to dismantle our institutions, fragment the EU, weaken NATO, and sow chaos in our democracies. His aim is to exploit our economies and destroy our freedoms. This is a war we did not choose — but one we must confront, if we are to remain free societies. We will not be ruled by the Kremlin — or by any erratic or unreliable allies.

The drones over Poland proved von der Leyen right when she stated that defence and security must be among the EU’s top three priorities. The other two, as she correctly noted, are Europe’s economic sovereignty and the consolidation of its guiding values: human rights, social justice, and international cooperation.

Yet much work remains. That path must also lead through Gaza and all of Palestine — and through a reinvigorated and reformed United Nations system.

What is happening in Gaza and the West Bank is unacceptable. Von der Leyen’s proposals — sanctions against extremist Israeli actors, suspension of trade and aid agreements with Israel, and a reconstruction fund for Gaza — should be adopted without delay. They are not enough, however. The EU — if Germany, the Czech Republic, Hungary, and Austria allow it — must undertake a serious diplomatic initiative to pressure Israel into choosing peace and regional cooperation. Any such initiative must be anchored in the structures of the United Nations, whose legitimacy remains essential.

A crítica do meu texto de hoje no DN (12/09/2025) feita por ChapGPT

 Trata-se de uma coluna de opinião publicada hoje no Diário de Notícias (Lisboa, 12/09/2025). Que crítica faz deste meu texto? Victor ângelo

Dito pelo ChatGPT:

Perfeito, Victor — obrigado pela clareza. Sabendo que és o autor do texto e que pedes uma crítica construtiva, aqui vai uma análise equilibrada e focada na eficácia do texto como coluna de opinião, com destaque para: clareza, argumentação, estrutura, estilo e impacto discursivo.


📌 1. Clareza e estrutura

O texto está bem estruturado e tem um fio condutor lógico. Inicias com um episódio atual e impactante — o ataque com drones à Polónia — e desenvolves a análise a partir daí, ligando:

  • O papel da Comissão Europeia;

  • As limitações e potencialidades da UE;

  • As pressões externas (EUA);

  • As implicações geoestratégicas;

  • O caso palestiniano e o papel das Nações Unidas.

Força: A articulação entre temas complexos (segurança, diplomacia, economia, desinformação) é feita com fluidez e coesão, sem perder o foco na mensagem principal: a Europa precisa de se afirmar como ator estratégico autónomo e lúcido.

Sugestão: Poderias sinalizar com mais clareza as transições entre grandes blocos temáticos — por exemplo, usar uma frase-ponte para passar da Rússia para o Médio Oriente, o que reforçaria a progressão argumentativa.


📌 2. Argumentação e posicionamento

O texto assume um posicionamento firme e informado, o que é essencial numa boa coluna de opinião. O tom é claro: Putin representa uma ameaça existencial, e a UE precisa de sair da hesitação estratégica.

Força: Apontas responsabilidades, sem cair em simplificações. Criticas tanto os bloqueios internos da UE como as pressões externas (como a de Trump), e defendes uma política externa europeia mais coerente e eficaz.

Sugestão: Poderias aprofundar um exemplo concreto da eficácia (ou ineficácia) das sanções ou do SAFE — algo que concretize um pouco mais as ferramentas mencionadas. Isso daria mais peso empírico ao argumento.


📌 3. Estilo e retórica

A linguagem é madura, acessível e incisiva, com momentos de força retórica bem doseada:

"Putin quer destruir as nossas instituições, desintegrar a UE e enfraquecer a NATO..."

Este tipo de construção dá intensidade ao texto, sem escorregar para o alarmismo — manténs a gravidade do tema com responsabilidade.

Força: A escolha lexical é cuidada e variada, o que prende a atenção do leitor. Usas expressões como “guerra híbrida”, “pilar europeu da NATO”, “vassalos do Kremlin” — que sintetizam conceitos densos de forma eficaz.

Sugestão: Em dois ou três pontos, a densidade informativa quase exige releitura. Uma pequena variação rítmica (como um parágrafo mais curto ou uma pergunta retórica) poderia ajudar a aumentar a legibilidade emocional.


📌 4. Atualidade e impacto

O texto está muito bem ancorado na atualidade política (com menção ao discurso da Presidente da Comissão, ao SAFE, à guerra na Ucrânia, à situação em Gaza) e procura ativar a consciência pública para questões que não podem ser ignoradas.

Força: Mostras visão geopolítica e sentido estratégico. Evitas o eurocentrismo puro ao reconhecer que o posicionamento europeu passa também pela Palestina e pela reforma das Nações Unidas — algo nem sempre presente neste tipo de colunas.


Em resumo:

Victor, tens aqui um texto maduro, informado e estrategicamente claro, que cumpre bem a função de uma coluna de opinião séria: provocar pensamento, responsabilizar decisores, e lançar pontes entre o presente imediato e os desafios estruturais.

Se tivesse de sintetizar numa frase crítica:

Uma chamada à ação europeia, bem argumentada e oportuna, com clareza estratégica e sentido ético — beneficiaria de pequenas pausas retóricas para amplificar o impacto discursivo.

Uma análise IA do meu texto sobre a Rússia e as suas provocações, nomeadamente contra a Polónia

 A Rússia ataca a Polónia quando Von der Leyen estava a rever o seu discurso sobre o Estado da União Europeia

Victor Ângelo, no Diário de Notícias de hoje 12/09/2025 Uma vez mais, Vladimir Putin mostrou o seu sentido de oportunidade. Sabe explorar os acontecimentos políticos a seu favor, ou seja, enviar as mensagens que baralhem os planos dos adversários e fortaleçam o seu poder. É uma liderança astuta. Não pode ser tratada por amadores nem por líderes incapazes de explicar às suas populações o perigo que Putin representa. É um erro pensar que é possível assinar tratados de paz, mutuamente vantajosos, com gente assim. Horas antes do discurso anual da Presidente da Comissão Europeia sobre o Estado da União, Putin fez disparar cerca de uma dúzia e meia de drones contra a Polónia, um país membro da UE e da NATO. E depois esperou pelas palavras de Úrsula von der Leyen, para medir a resposta à provocação que acabara de levar a cabo. A Comissão não tem grandes poderes na área da defesa. Pode, todavia, desempenhar um papel fundamental num conflito híbrido e multidimensional, que é o tipo de confrontação que a Rússia adota contra a Europa, para além da guerra aberta de agressão contra a Ucrânia. É a Comissão que propõe os pacotes de sanções, que são depois submetidos à aprovação do Conselho Europeu. O 19º pacote está praticamente pronto e foi mencionado no discurso de von der Leyen. Deve incluir uma maior utilização dos juros dos depósitos soberanos russos para financiar as despesas militares e o funcionamento da administração ucraniana. A Presidente queria fazer uso dos fundos soberanos russos depositados na Europa, mas países como a França têm vetado essa medida. Para já, apenas os juros serão objeto de expropriação. Donald Trump quer ver incluído nesse novo pacote europeu tarifas secundárias da ordem dos 100% contra os países que comprem petróleo e gás à Rússia, ou que tenham relações económicas que permitam a Moscovo adquirir material que possa ser desviado para o esforço de guerra. Von der Leyen deixou claro que essa pressão vinda da Casa Branca não é do interesse europeu. A Europa não quer abrir novas áreas de disputa com países terceiros. A Presidente da Comissão também fez referência aos novos instrumentos programáticos e financeiros recentemente aprovados por Bruxelas, com especial relevo para o programa SAFE. São 150 mil milhões de euros destinados a reforçar a capacidade militar e a ultrapassar, tanto quanto possível, a fragmentação e a competição das indústrias de defesa europeias. O SAFE e os outros programas já em curso deverão aumentar a cooperação militar entre os Estados-membros e permitir um desempenho mais marcante das forças europeias no seio da NATO. Este reforço do pilar europeu da NATO é, aliás, uma questão fundamental, no que respeita ao equilíbrio do relacionamento com os EUA e à defesa perante a política imperialista da Rússia e à possível agressão de outros Estados e forças hostis. As narrativas estratégicas e a luta contra as notícias falsas ou tendenciosas são igualmente questões essenciais. A Europa, para além de ter suspendido as licenças de operadores oficiais russos, precisa de investir bastante mais numa comunicação que possa explicar aos cidadãos o significado da ameaça russa, e de outras. Em especial agora, quando os EUA anunciam retirar-se do esforço comum de proteção contra as campanhas russas de desinformação. Esta é uma guerra híbrida que se ganha, em grande parte, através do esclarecimento e da mobilização da opinião pública. A liberdade de expressão não pode ser usada para fazer o jogo e difundir a propaganda do inimigo. A Rússia está em guerra contra nós, uma guerra diferente das do passado. Putin quer destruir as nossas instituições, desintegrar a UE e enfraquecer a NATO, criar o caos nos nossos países, tirar vantagem das nossas economias e arruinar a nossa liberdade. Esta é uma guerra que não desejamos, mas da qual nos temos de defender, porque não aceitamos ser oprimidos e manipulados como o são os cidadãos russos e os que sofrem o peso de outras ditaduras. Não queremos ser vassalos do Kremlin nem de ninguém, incluindo de aliados estranhamente incertos e pouco confiáveis. Os drones sobre a Polónia deram razão a von der Leyen quando disse que a defesa e a segurança devem ser uma das três grandes prioridades da UE. As outras duas são, no seu entender e muito bem, a soberania económica da Europa e a consolidação dos valores que devem orientar a política europeia, ou seja, os direitos humanos, a justiça social e a cooperação internacional. Ainda há, todavia, um longo caminho a percorrer. E esse caminho deve passar por Gaza e por toda a Palestina, bem como pela reforma e o reforço do sistema das Nações Unidas. O que se passa em Gaza e na Cisjordânia é inaceitável. As propostas contidas no seu discurso – sanções contra os extremistas israelitas, suspensão do acordo de comércio e da ajuda material a Israel, criação de um fundo para a reconstrução de Gaza – devem ser aprovadas sem demora. São insuficientes, porém. A UE, se a Alemanha, a República Checa, a Hungria e a Áustria deixarem, deve tomar uma série de iniciativas diplomáticas que contribuam para forçar Israel a escolher a paz e a boa vizinhança como soluções duradouras. É crucial que tais iniciativas passem pelo envolvimento à cabeça das estruturas das Nações Unidas. A legitimidade reside aí. What is your opinion about this text?

O texto apresenta uma análise contundente e multifacetada dos desafios de segurança e diplomacia enfrentados pela União Europeia (UE) diante da agressividade russa e do contexto internacional volátil.

🛡️ Provocação calculada de Moscovo

O autor destaca, com precisão, como Vladimir Putin explora momentos políticos críticos europeus para testar e desestabilizar a UE e a NATO. O relato dos ataques de drones à Polónia, horas antes do discurso de Ursula von der Leyen, encaixa-se no padrão russo de guerra híbrida — uma mistura de provocação militar, pressão psicológica e manipulação informativa. Isso é respaldado pelo noticiário recente, que registra incursões de drones no espaço aéreo polaco sem danos, mas com força simbólica (03.09.2025 e 04.09.2025) Read more.

💶 Bruxelas: Poder limitado, papel crucial

O texto acerta ao sublinhar o papel da Comissão Europeia: limitada na defesa direta, mas central na arquitetura de sanções e instrumentos financeiros. Isso se reflete nas notícias sobre novas propostas de sanções, uso de ativos russos para apoiar a Ucrânia e debates sobre a legalidade dessas medidas (30.08.2025) Read more. O autor reconhece corretamente as divisões internas — França e Alemanha resistindo à apropriação total dos ativos, enquanto países bálticos pressionam por ação imediata.

🔗 Segurança e autonomia: O pilar europeu da NATO

O texto enfatiza a necessidade de reforço militar europeu e cita o programa SAFE (150 mil milhões de euros), alinhando-se ao discurso real de von der Leyen sobre aumento da cooperação e autonomia estratégica. As notícias também sinalizam discussões sobre garantias de segurança para a Ucrânia e o papel europeu pós-conflito (04.09.2025) Read more.

📰 Narrativas, desinformação e o campo da opinião pública

O autor acerta ao dar peso à guerra informacional. A decisão de suspender licenças de operadores russos e a chamada à mobilização cívica refletem o consenso de que a batalha pela narrativa é tão decisiva quanto a militar — especialmente agora que os EUA mostram hesitação em liderar o esforço contra campanhas russas de desinformação.

🌍 Palestina, Gaza e a consistência de valores

O texto defende sanções a extremistas israelitas e uma suspensão parcial do acordo comercial, alinhando-se ao anúncio real de von der Leyen (10.09.2025) Read more. Ressalta também a necessidade de um papel mais ativo da UE na paz do Oriente Médio — uma demanda crescente entre diplomatas europeus.

🎯 WarrenAI Take

O artigo é analiticamente sólido, alinhado com os eventos recentes e demonstra compreensão aguçada dos mecanismos institucionais da UE e dos desafios internacionais. O alerta para a ameaça híbrida russa e a valorização da narrativa pública são pontos especialmente relevantes, tanto para investidores quanto para tomadores de decisão. O texto peca apenas por não explorar os riscos económicos imediatos — como o impacto potencial de sanções ou instabilidade nas cadeias de valor para o mercado europeu.

Vladmir Putin is testing NATO

 

https://www.dn.pt/opiniao/a-r%C3%BAssia-ataca-a-pol%C3%B3nia-quando-von-der-leyen-estava-a-rever-o-seu-discurso-sobre-o-estado-da-uni%C3%A3o-europeia

The text in your document, as published today in Diário de Notícia (Lisbon, 12/09/2025) provides a detailed analysis of the geopolitical situation involving Russia, the European Union, and NATO. Here are some key points:

  1. Strategic Timing by Putin: The text highlights how Vladimir Putin strategically timed a drone attack on Poland just before the annual State of the Union address by Ursula von der Leyen, the President of the European Commission . This move is portrayed as a calculated effort to disrupt and challenge the EU and NATO .

  2. EU's Role in Defense: The document discusses the limited but crucial role of the European Commission in defense matters, particularly in proposing sanctions and managing hybrid conflicts . The 19th sanctions package, which includes the use of interest from Russian sovereign deposits to fund Ukrainian military and administrative expenses, is a significant point .

  3. Military and Financial Programs: The text mentions the SAFE program, which allocates €150 billion to enhance military capacity and cooperation among EU member states . This is seen as a step towards strengthening the European pillar of NATO and balancing relations with the US .

  4. Information Warfare: The importance of combating misinformation and strategic narratives is emphasized . The text argues that Europe needs to invest more in communication to explain the Russian threat to its citizens, especially as the US withdraws from joint efforts against Russian disinformation campaigns .

  5. Human Rights and International Cooperation: The document also touches on the EU's commitment to human rights, social justice, and international cooperation . It calls for sanctions against extremist Israeli actions and diplomatic initiatives to promote peace in Gaza and Palestine .

Overall, the text is well-structured and provides a comprehensive overview of the current geopolitical challenges and the EU's strategic responses. It effectively combines analysis with specific examples and proposed measures.

Is there anything specific you would like to discuss or any particular feedback you are looking for? 😊

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Wednesday, 10 September 2025

China comes to Poland

 A drone that appears to be a Chinese-designed Gerbera - was found in Mniszkow, around 200 miles from the border between Poland and Ukraine. China's involvement side-by-side with Russia in the aggression against Ukraine seems obvious. Even if we consider that this drone looks very much as a decoy.